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Debate sobre moradia e remoção

Debate sobre moradia e remoção que aconteceu após a exibição dos videos, Viela G Casa 3, Gol Contra e a Comunidade que desviou o trem.

Video – Viela G Casa 3 (Apoio Fundo Socioambiental CASA)

A história de remoção em São Paulo contada através do olhar de um grupo de jovens.

A cultura dos índios Umutina no caminho da Copa do Mundo 2014

Nas margens dos rios Paraguai e Bugres, próximo ao munícipio de Barra do Bugres e a menos de 200 km de Cuiabá, está localizada a Terra Indígena Umutina. Local hoje que reúne indígenas das etnias bororos, parecis, xikitano, bacairi, kaiabi, nambikwara, iranxe, e os umutinas (balotiponé).

Jovens Umutina da Escola Jula Paré
Jovens Umutina da Escola Jula Paré

No meio da aldeia sede, está localizado o campo de futebol, logo ao lado encontra-se a Escola de Educação Indígena Jula Paré. Local onde estão sendo realizada as ações do Projeto, desenvolvido pelo Instituto Caracol com o apoio do Fundo Socioambiental Casa.
O projeto foi organizado a partir da aspiração de alguns estudantes da Escola Jula Paré, que notaram as dificuldades existentes ao fazer comunicação e usar algumas das ferramentas de comunicação que os ajudassem a divulgar sua cultura, seus projetos, mostrar por eles mesmo, o cotidiano dentro de uma ilha no coração do pantanal mato-grossense.

O Pantanal é um dos principais biomas do ecossistema internacional, localizado principalmente entre os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Pela sua importância, Cuiabá acabou sendo escolhida como cidade-sede da Copa do Mundo. E o nome pantanal passou a batizar o megaevento da FIFA, Copa do Pantanal.
Entretanto com todo prestígio político e investimentos aplicados, o Pantanal acabou tornando-se a maior propaganda durante a organização do mundial em Mato Grosso. Muitos projetos foram divulgados para Cuiabá e regiões, mas poucas ações foram concluídas até agora e quase nenhuma contemplando a região do pantanal.
Um dos projetos que ainda podem ser realizado, é o turismo nas regiões de comunidades tradicionais e indígenas. Isso em decorrência do potencial turístico que existe próximo a capital mato-grossense.

Com toda esta mobilização no estado, e por causa da proximidade de Cuiabá com a região de Barra do Bugres, foi ensaiado um projeto de turismo ecológico para Aldeia Umutina, em que a ilha seria um dos pontos de acesso aos turistas, durante o mundial. Isso influenciaria diretamente no cotidiano da aldeia, podem possibilitar uma maior visibilidade para a cultura do povo Umutina e a inevitável relação do choque-cultural.

Diante disso o projeto se tornou um apoio dentro da Escola Jula Paré, onde estão sendo realizadas as oficinas de educomunicação com os estudantes e professores do ensino médio, possibilitando uma troca de saberes entre os participantes diante da relação com as ferramentas de comunicação. O objetivo é que os próprios indígenas possam ser a mídia de dentro para fora da aldeia. Assim tendo possibilidade de contar suas histórias, mostrar seu cotidiano e divulgar as ações que envolvam a aldeia.

Caio Bruno de Oliveira Barbosa (Equipe de Execução do Projeto)

 

Quando a Copa chega às áreas protegidas do Brasil

Pouca gente sabe mas áreas de preservação ambiental do Brasil, localizadas próximas às cidades sede da Copa, receberam o nome de “Parques da Copa”.

A denominação, oficializada pelo governo brasileiro por meio dos ministérios do Turismo e do Meio Ambiente, tem uma intenção: que os turistas que virão ao Brasil por conta da Copa da FIFA passem o mais tempo possível no pais, tendo nisso a possibilidade de visitar nossas unidades de conservação. Para tanto, foram previstos investimentos na ordem de R$ 668 milhões em infraestrutura para melhorias dos parques.

Aqueles que vivem ou trabalham nos agora chamados “Parques da Copa” precisam se adequar às demandas da FIFA. Assim, comunidades inseridas em ações de turismo comunitário, que operam de acordo com a preservação do meio ambiente e manutenção de culturas locais, se viram-se, do dia para a noite, obrigadas a atender essas demandas.

A cidade de Paraty é um dos pontos turísticos mais buscados por estrangeiros que chegam ao País. Localizada no Estado do Rio de Janeiro, entre as capitais carioca e paulista, a simpática cidade colonial tornou-se, ao longo dos anos, um destino turístico por excelência e que, com a proximidade da Copa, tende a receber ainda mais visitantes.

Cercada de águas, as praias de Paraty, com suas pequenas baías, conservam uma cultura tradicional caiçara. Ou seja, uma forma de vida originária ainda em tempos coloniais, e que tem suas bases na pesca artesanal, agricultura de subsistência e extrativismo vegetal.
É nessa região que está a comunidade de Trindade, pertencente à Área de Preservação Ambiental Cairuçu, próximo ao Parque Nacional da Serra da Bocaina – um “Parque da Copa”.

Um dos destinos mais visitados por quem acessa Paraty, a comunidade de pescadores caiçaras de Trindade também prepara-se para receber turistas. Faz isso ao fortalecer o turismo de base comunitária, desenvolvido na região por meio da Associação de Barqueiros e Pequenos Pescadores de Trindade.

Receptivo de Turistas
Receptivo de Turistas

Para adequar-se às exigências da FIFA no receptivo de turistas, os membros da Associação terão que passar, até a chegada da Copa, por nove cursos (mecânica de barcos, primeiros socorros e gestão de riscos são alguns deles).

Parte desses cursos (quatro deles) devem ser dados pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio de seu Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO); e o restante custeado e organizado pela própria Associação.

Com o apoio do Fundo Socioambiental Casa, a Associação já realizou quatro entre os cincos cursos previstos em sua agenda – o último deles, o de primeiros socorros, deve acontecer nas próximas semanas.

Oficina de Capacitação
Segundo Robson Dias Passidonio, pescador da Associação de Barqueiros e Pequenos Pescadores de Trindade, o ICMBIO, até o momento, ainda não agendou os cursos prometidos.

Apesar disso, Robson avalia que a experiência dos cursos já realizados pelo esforço da própria Associação tem gerado mais proximidade e parceria entre os seus membros, fazendo com que os barqueiros atuem de forma mais unida e sistematizada, ao valorizar o trabalho quando feito de forma coletiva.

Unidades de conservação consideradas “Parques da Copa:
Parque Nacional do Jaú/Anavilhas/Resex Unini/AM; Parque Nacional doIguaçu/PR; Parque Nacional do Pantanal Matogrossense/MT; Parque Nacional do Itatiaia/RJ; Parque Nacional Serra dos Órgãos/RJ; Parque Nacional da Tijuca; Parque Nacional da Serra da Bocaina/SP/RJ; Parque Nacional do Caparaó/MG; Parque Nacional Aparados da Serra/Serra Geral/RS; Parque Nacional Restinga de Jurubatiba/RJ; Parque Nacional da Serra do Cipó/MG; Parque Nacional Chapada dos Veadeiros/GO; Parque Nacional de Brasília/DF; Parque Nacional da Chapada Diamantina/BA; Parque Nacional Chapada dos Guimarães/MT; Parque Nacional da Serra da Capivara/PI; Parque Nacional de Ubajara/CE; Parque Nacional Marinho dos Abrolhos/BA; Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha/PE; Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses/MA; Parque Nacional de Jericoacoara/CE e Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba/PI; Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais/AL e Reserva Extrativista Arraial do Cabo/RJ.

 

Quando o trilho passa à porta de casa

De um dia para noite, engenheiros de nomes desconhecidos chegaram na comunidade Lauro Vieira Chaves, em Fortaleza, no Ceará. Pediram licença, entraram nas casas. Tiraram medidas. Fizeram fotos.

Alguns dias depois, moradores foram surpreendidos com uma carta de convocação. Deveriam ir em uma reunião onde receberiam um comunicado do governo do Estado: era preciso deixar o lugar onde famílias construíram histórias, teceram narrativas de vida. Teriam que fazer isso em troca de valores mínimos por suas moradas.

O motivo da remoção: o início das obras para implementação do Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT), uma das obras de mobilidade urbana prevista para Fortaleza, cidade que sediará jogos da Copa do Mundo.

Após o susto, a comunidade, que é composta por cerca de 400 famílias e que há 60 anos está constituída, se uniu. Em grupo, com recursos próprios, criou meios de debates e articulações. A internet foi um deles e, por meio de um blog (http://comunidadelvc.wordpress.com/), moradores foram registrando o passo a passo da luta pela não remoção de moradores.

O campinho onde crianças e adultos se encontravam para brincar foi destruído. Com ele, mangueiras e cajueiros também. Os tratores chegaram. A poluição se fez presente. Paredes de casas foram derrubadas.

A comunidade sentiu e sente na pele o que é perder espaço de lazer, de encontro. O que é perceber as casas que construíam indo ao chão.

Mas a luta não foi em vão. Juntos. Os moradores de Lauro Vieira Chaves conseguiram reverter o plano de remoção previsto e 70% das famílias passaram a ter o direito de permanecer no local. Não era só o direito à moradia que estava em questão. Mas, também, a própria história de cada morador que tem no lugar suas lições de afeto, seus laços de família e de amizade.

A comunidade Lauro Viera Chaves tornou-se então símbolo. Um exemplo de como, organizada em grupos de trabalhos, fincando o pé no chão e se articulando com movimentos e organizações civis, é possível obter vitórias que beneficiem o social e a vida comunitária.

Tudo isso está contado em um vídeo, um documento em imagens que guarda para as futuras gerações as transformações da paisagem do lugar, mas também a resposta dada pela comunidade em prol do direito de morar – e morar com afeto.

Prainha do Canto Verde: exemplo de cidadania e perseverança

No Ceará,  uma comunidade praieira está sabendo inscrever o seu nome na história do Brasil de forma diferente.

Distante apenas 120 quilômetros de Fortaleza, a Prainha do Canto Verde pertence ao município de Beberibe. É um local onde reside uma comunidade historicamente formada por pescadores artesanais, que utilizam jangadas de madeira para a coleta no mar de peixe e da lagosta.

A Prainha, um lugar especial, é marcada por uma extensa faixa de praia de areias brancas, campos de dunas fixas e móveis – onde formam-se lagoas.

Uma espécie, portanto, de pequeno paraíso ambiental que, graças a sua comunidade, continua preservado, numa história iniciada na década de 1970.

Foi nesse período que surgiram os primeiros especuladores de terra na região que, grileiros, se diziam donos da terra. Também intencionavam implementar o “turismo de condomínios e resorts”.

A comunidade não cedeu. E numa história que já atravessa gerações, tornou-se referência na luta pelos direitos pela terra, garantia da pesca artesanal, preservação ambiental e contra o turismo predatório.

Entre as conquistas da comunidade está o reconhecimento de sua área em Reserva Extrativista (Resex) da Prainha do Canto Verde (2009), o que se deu após um longo e participativo processo de debates públicos entre moradores e órgão ambientais.

Outra grande vitória foi conseguir estabelecer meios de trabalhos sustentáveis. Alem da pesca, homens e mulheres da Prainha atuam em um projeto sólido de turismo comunitário – aquele que preserva recursos naturais, a história e cultura da gente do lugar, e cujos lucros retornam à própria comunidade (e não para investidores ou especuladores).

Agora, a comunidade da Prainha do Canto Verde prepara-se para um novo desafio: receber os turistas durante a Copa do Mundo 2014.

Trata-se do projeto Turismo Comunitário, fortalecendo a participação juvenil na Reserva Extrativista da Prainha do Canto Verde.

Com o apoio do Fundo Socioambiental Casa, por meio do projeto A Copa do Mundo em Meu Lugar,  o Conselho de Turismo da Comunidade Prainha do Canto Verde capacitou jovens para que criassem ferramentas de comunicação e conscientização.

Assim, foram feitos dois programas de rádio quatro spots,  produtos de oficinas para veiculação na rádio comunitária de Paripueira, comunidade vizinha à Prainha do Canto Verde.

A intenção foi, através dessas mídias, difundir e proporcionar a reflexão coletiva entre os jovens da Rede Tucum (Rede Cearense de Turismo Comunitário: http://www.tucum.org) sobre os temas que rondam o turismo: exploração sexual, abuso de drogas, direito ao território, conservação ambiental e os impactos socioambientais em comunidades costeiras decorrentes da Copa do Mundo.

Trilha Histórica do Pico do Santa Marta

 cartaz pico

No domingo dia 23 de Fevereiro, mais uma caminhada na Trilha Histórica do Pico do Santa Marta.

O ponto de encontro é a Praça Corumbá em frente ao Morro do Santa Manta Marta às 9 hs da manhã.

Participem! Divulguem!