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Debate sobre moradia e remoção

Debate sobre moradia e remoção que aconteceu após a exibição dos videos, Viela G Casa 3, Gol Contra e a Comunidade que desviou o trem.

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Quando o trilho passa à porta de casa

De um dia para noite, engenheiros de nomes desconhecidos chegaram na comunidade Lauro Vieira Chaves, em Fortaleza, no Ceará. Pediram licença, entraram nas casas. Tiraram medidas. Fizeram fotos.

Alguns dias depois, moradores foram surpreendidos com uma carta de convocação. Deveriam ir em uma reunião onde receberiam um comunicado do governo do Estado: era preciso deixar o lugar onde famílias construíram histórias, teceram narrativas de vida. Teriam que fazer isso em troca de valores mínimos por suas moradas.

O motivo da remoção: o início das obras para implementação do Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT), uma das obras de mobilidade urbana prevista para Fortaleza, cidade que sediará jogos da Copa do Mundo.

Após o susto, a comunidade, que é composta por cerca de 400 famílias e que há 60 anos está constituída, se uniu. Em grupo, com recursos próprios, criou meios de debates e articulações. A internet foi um deles e, por meio de um blog (http://comunidadelvc.wordpress.com/), moradores foram registrando o passo a passo da luta pela não remoção de moradores.

O campinho onde crianças e adultos se encontravam para brincar foi destruído. Com ele, mangueiras e cajueiros também. Os tratores chegaram. A poluição se fez presente. Paredes de casas foram derrubadas.

A comunidade sentiu e sente na pele o que é perder espaço de lazer, de encontro. O que é perceber as casas que construíam indo ao chão.

Mas a luta não foi em vão. Juntos. Os moradores de Lauro Vieira Chaves conseguiram reverter o plano de remoção previsto e 70% das famílias passaram a ter o direito de permanecer no local. Não era só o direito à moradia que estava em questão. Mas, também, a própria história de cada morador que tem no lugar suas lições de afeto, seus laços de família e de amizade.

A comunidade Lauro Viera Chaves tornou-se então símbolo. Um exemplo de como, organizada em grupos de trabalhos, fincando o pé no chão e se articulando com movimentos e organizações civis, é possível obter vitórias que beneficiem o social e a vida comunitária.

Tudo isso está contado em um vídeo, um documento em imagens que guarda para as futuras gerações as transformações da paisagem do lugar, mas também a resposta dada pela comunidade em prol do direito de morar – e morar com afeto.

Prainha do Canto Verde: exemplo de cidadania e perseverança

No Ceará,  uma comunidade praieira está sabendo inscrever o seu nome na história do Brasil de forma diferente.

Distante apenas 120 quilômetros de Fortaleza, a Prainha do Canto Verde pertence ao município de Beberibe. É um local onde reside uma comunidade historicamente formada por pescadores artesanais, que utilizam jangadas de madeira para a coleta no mar de peixe e da lagosta.

A Prainha, um lugar especial, é marcada por uma extensa faixa de praia de areias brancas, campos de dunas fixas e móveis – onde formam-se lagoas.

Uma espécie, portanto, de pequeno paraíso ambiental que, graças a sua comunidade, continua preservado, numa história iniciada na década de 1970.

Foi nesse período que surgiram os primeiros especuladores de terra na região que, grileiros, se diziam donos da terra. Também intencionavam implementar o “turismo de condomínios e resorts”.

A comunidade não cedeu. E numa história que já atravessa gerações, tornou-se referência na luta pelos direitos pela terra, garantia da pesca artesanal, preservação ambiental e contra o turismo predatório.

Entre as conquistas da comunidade está o reconhecimento de sua área em Reserva Extrativista (Resex) da Prainha do Canto Verde (2009), o que se deu após um longo e participativo processo de debates públicos entre moradores e órgão ambientais.

Outra grande vitória foi conseguir estabelecer meios de trabalhos sustentáveis. Alem da pesca, homens e mulheres da Prainha atuam em um projeto sólido de turismo comunitário – aquele que preserva recursos naturais, a história e cultura da gente do lugar, e cujos lucros retornam à própria comunidade (e não para investidores ou especuladores).

Agora, a comunidade da Prainha do Canto Verde prepara-se para um novo desafio: receber os turistas durante a Copa do Mundo 2014.

Trata-se do projeto Turismo Comunitário, fortalecendo a participação juvenil na Reserva Extrativista da Prainha do Canto Verde.

Com o apoio do Fundo Socioambiental Casa, por meio do projeto A Copa do Mundo em Meu Lugar,  o Conselho de Turismo da Comunidade Prainha do Canto Verde capacitou jovens para que criassem ferramentas de comunicação e conscientização.

Assim, foram feitos dois programas de rádio quatro spots,  produtos de oficinas para veiculação na rádio comunitária de Paripueira, comunidade vizinha à Prainha do Canto Verde.

A intenção foi, através dessas mídias, difundir e proporcionar a reflexão coletiva entre os jovens da Rede Tucum (Rede Cearense de Turismo Comunitário: http://www.tucum.org) sobre os temas que rondam o turismo: exploração sexual, abuso de drogas, direito ao território, conservação ambiental e os impactos socioambientais em comunidades costeiras decorrentes da Copa do Mundo.

Trilha Histórica do Pico do Santa Marta

 cartaz pico

No domingo dia 23 de Fevereiro, mais uma caminhada na Trilha Histórica do Pico do Santa Marta.

O ponto de encontro é a Praça Corumbá em frente ao Morro do Santa Manta Marta às 9 hs da manhã.

Participem! Divulguem!

Para pensar um país

Este blog se inicia em 2014, ano em que o Brasil sedia a Copa do Mundo.

Em razão dos megaeventos, que tipo de transformações definitivas estamos vendo surgir em nossas cidades e também em comunidades praieiras e rurais?

Como a implementação da infraestrutura da Copa tem modificado vidas? O que essas vidas nos contam? Onde, exatamente, elas se situam na história política e social de nosso País?

O Fundo Socioambiental Casa (Fundo CASA), em parceira com a ONG holandesa Both ENDS, está buscando ouvir esses testemunhos.

Faz isso ao apoiar organizações de todo Brasil, por meio do projeto A Copa do Mundo em Meu Lugar.

Em troca, essas comunidades devem devolver suas narrativas sobre um Brasil que se modifica em passos largos, a despeito de sua gente, seus ambientes naturais, sua cultura, seu próprio povo.

Esse blog reúne essas histórias que, pouco a pouco, estão sendo consolidadas pelos grupos apoiados e que portanto irão ocupar este espaço.

Um lugar virtual que será, também, um arquivo de memórias que podem ser conhecidas a qualquer momento.

Um ponto de partida e de chegada. Sobre este momento específico da história do Brasil e que não queremos passar sem que deixemos a nossa versão da história.