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Quando a Copa chega às áreas protegidas do Brasil

Pouca gente sabe mas áreas de preservação ambiental do Brasil, localizadas próximas às cidades sede da Copa, receberam o nome de “Parques da Copa”.

A denominação, oficializada pelo governo brasileiro por meio dos ministérios do Turismo e do Meio Ambiente, tem uma intenção: que os turistas que virão ao Brasil por conta da Copa da FIFA passem o mais tempo possível no pais, tendo nisso a possibilidade de visitar nossas unidades de conservação. Para tanto, foram previstos investimentos na ordem de R$ 668 milhões em infraestrutura para melhorias dos parques.

Aqueles que vivem ou trabalham nos agora chamados “Parques da Copa” precisam se adequar às demandas da FIFA. Assim, comunidades inseridas em ações de turismo comunitário, que operam de acordo com a preservação do meio ambiente e manutenção de culturas locais, se viram-se, do dia para a noite, obrigadas a atender essas demandas.

A cidade de Paraty é um dos pontos turísticos mais buscados por estrangeiros que chegam ao País. Localizada no Estado do Rio de Janeiro, entre as capitais carioca e paulista, a simpática cidade colonial tornou-se, ao longo dos anos, um destino turístico por excelência e que, com a proximidade da Copa, tende a receber ainda mais visitantes.

Cercada de águas, as praias de Paraty, com suas pequenas baías, conservam uma cultura tradicional caiçara. Ou seja, uma forma de vida originária ainda em tempos coloniais, e que tem suas bases na pesca artesanal, agricultura de subsistência e extrativismo vegetal.
É nessa região que está a comunidade de Trindade, pertencente à Área de Preservação Ambiental Cairuçu, próximo ao Parque Nacional da Serra da Bocaina – um “Parque da Copa”.

Um dos destinos mais visitados por quem acessa Paraty, a comunidade de pescadores caiçaras de Trindade também prepara-se para receber turistas. Faz isso ao fortalecer o turismo de base comunitária, desenvolvido na região por meio da Associação de Barqueiros e Pequenos Pescadores de Trindade.

Receptivo de Turistas
Receptivo de Turistas

Para adequar-se às exigências da FIFA no receptivo de turistas, os membros da Associação terão que passar, até a chegada da Copa, por nove cursos (mecânica de barcos, primeiros socorros e gestão de riscos são alguns deles).

Parte desses cursos (quatro deles) devem ser dados pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio de seu Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO); e o restante custeado e organizado pela própria Associação.

Com o apoio do Fundo Socioambiental Casa, a Associação já realizou quatro entre os cincos cursos previstos em sua agenda – o último deles, o de primeiros socorros, deve acontecer nas próximas semanas.

Oficina de Capacitação
Segundo Robson Dias Passidonio, pescador da Associação de Barqueiros e Pequenos Pescadores de Trindade, o ICMBIO, até o momento, ainda não agendou os cursos prometidos.

Apesar disso, Robson avalia que a experiência dos cursos já realizados pelo esforço da própria Associação tem gerado mais proximidade e parceria entre os seus membros, fazendo com que os barqueiros atuem de forma mais unida e sistematizada, ao valorizar o trabalho quando feito de forma coletiva.

Unidades de conservação consideradas “Parques da Copa:
Parque Nacional do Jaú/Anavilhas/Resex Unini/AM; Parque Nacional doIguaçu/PR; Parque Nacional do Pantanal Matogrossense/MT; Parque Nacional do Itatiaia/RJ; Parque Nacional Serra dos Órgãos/RJ; Parque Nacional da Tijuca; Parque Nacional da Serra da Bocaina/SP/RJ; Parque Nacional do Caparaó/MG; Parque Nacional Aparados da Serra/Serra Geral/RS; Parque Nacional Restinga de Jurubatiba/RJ; Parque Nacional da Serra do Cipó/MG; Parque Nacional Chapada dos Veadeiros/GO; Parque Nacional de Brasília/DF; Parque Nacional da Chapada Diamantina/BA; Parque Nacional Chapada dos Guimarães/MT; Parque Nacional da Serra da Capivara/PI; Parque Nacional de Ubajara/CE; Parque Nacional Marinho dos Abrolhos/BA; Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha/PE; Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses/MA; Parque Nacional de Jericoacoara/CE e Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba/PI; Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais/AL e Reserva Extrativista Arraial do Cabo/RJ.

 

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Prainha do Canto Verde: exemplo de cidadania e perseverança

No Ceará,  uma comunidade praieira está sabendo inscrever o seu nome na história do Brasil de forma diferente.

Distante apenas 120 quilômetros de Fortaleza, a Prainha do Canto Verde pertence ao município de Beberibe. É um local onde reside uma comunidade historicamente formada por pescadores artesanais, que utilizam jangadas de madeira para a coleta no mar de peixe e da lagosta.

A Prainha, um lugar especial, é marcada por uma extensa faixa de praia de areias brancas, campos de dunas fixas e móveis – onde formam-se lagoas.

Uma espécie, portanto, de pequeno paraíso ambiental que, graças a sua comunidade, continua preservado, numa história iniciada na década de 1970.

Foi nesse período que surgiram os primeiros especuladores de terra na região que, grileiros, se diziam donos da terra. Também intencionavam implementar o “turismo de condomínios e resorts”.

A comunidade não cedeu. E numa história que já atravessa gerações, tornou-se referência na luta pelos direitos pela terra, garantia da pesca artesanal, preservação ambiental e contra o turismo predatório.

Entre as conquistas da comunidade está o reconhecimento de sua área em Reserva Extrativista (Resex) da Prainha do Canto Verde (2009), o que se deu após um longo e participativo processo de debates públicos entre moradores e órgão ambientais.

Outra grande vitória foi conseguir estabelecer meios de trabalhos sustentáveis. Alem da pesca, homens e mulheres da Prainha atuam em um projeto sólido de turismo comunitário – aquele que preserva recursos naturais, a história e cultura da gente do lugar, e cujos lucros retornam à própria comunidade (e não para investidores ou especuladores).

Agora, a comunidade da Prainha do Canto Verde prepara-se para um novo desafio: receber os turistas durante a Copa do Mundo 2014.

Trata-se do projeto Turismo Comunitário, fortalecendo a participação juvenil na Reserva Extrativista da Prainha do Canto Verde.

Com o apoio do Fundo Socioambiental Casa, por meio do projeto A Copa do Mundo em Meu Lugar,  o Conselho de Turismo da Comunidade Prainha do Canto Verde capacitou jovens para que criassem ferramentas de comunicação e conscientização.

Assim, foram feitos dois programas de rádio quatro spots,  produtos de oficinas para veiculação na rádio comunitária de Paripueira, comunidade vizinha à Prainha do Canto Verde.

A intenção foi, através dessas mídias, difundir e proporcionar a reflexão coletiva entre os jovens da Rede Tucum (Rede Cearense de Turismo Comunitário: http://www.tucum.org) sobre os temas que rondam o turismo: exploração sexual, abuso de drogas, direito ao território, conservação ambiental e os impactos socioambientais em comunidades costeiras decorrentes da Copa do Mundo.